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Cartão Corporativo


Nossos zelosos guardiões da legalidade, da moralidade e da probidade administrativa resolveram constituir uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) com o propósito de escandir a utilização dos famosos cartões corporativos. Como sempre, nossos excelsos parlamentares, com um batalhão de assessores apadrinhados, pagos com nossos dinheiros, vem como costume, a reboque da imprensa, arriscarem exercer seus deveres como preceitua nossa Carta Magna ( se nesse meio tempo não a remendaram)  no “ TÍTULO IV, SEÇÃO II – DAS ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL, ART  49 nos ítens:

IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República...
X – fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo,.... ” .

Depois de alguns dias, quando não saem das manchetes de todos os meios de comunicação, discursando como os mais probos fiscalizadores de nossos dinheiros e com o circo armado, montam uma CPMI potoca para permanecerem no picadeiro por mais alguns meses.
E nós, esfalfados assistimos os prometedores encenando, novamente, o mesmo filme fantasioso da oposição louca para se lambuzar com o melado e a situação desesperada para não tirar a mão da cumbuca ou alguém acredita em outra motivação?
Aparecem dossiês, secretárias, motoristas, declarações estapafúrdias e  tentativas de explicações  que vão mudando até se chegar à menos zombadora, sempre restando a vencedora “ Não sei de nada” e, ponto final. Nossa ministra, de passado nublado a ser explicado, já aprendeu com seu chefe apedeuta.
Apesar de toda esta indignação e descrença, temos que continuar acreditando em nosso Saci Pererê e, rezar para que desta vez, alguma coisa séria aconteça.
São, novamente milhões de reais gastos por funcionários perdulários que se sentem livres de qualquer baraço da nossa justiça, e venhamos, com toda a razão. Os chefes protegem os inferiores pois, se portam com igual peraltice.
Os assessores do Presidente se negam a mostrar os gastos da família do mesmo invocando uma tal de segurança nacional, ora bolas, o que essa família gasta com nossos dinheiros que é passível de tanto segredo? Será que cachaça, vinhos caríssimos, tapioca, roupas de grifes, festas juninas, DVDs piratas, botox, carros, farofa, uísque escocês, champanha e outras guloseimas e futilidades são de sigilo imprescindível à segurança do Presidente? Claro que não, os gastadores querem esconder as traquinagens que fazem com nossos dinheiros, uma vez que vergonha na cara nunca terão, além do mais, pela nossa Carta Magna, é obrigação e dever a prestação de contas junto aos endomingados parlamentares, por menor estatura moral que tenham para tal fiscalização. È verdade que encontramos no item XXXIII do TÍTULO II-DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS:

“todos tem direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo no prezo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescidível à segurança da sociedade e do Estado;”

Porém, smj, pois nossa Carta é de tal forma interpretativa que faz a alegria do mais medíocre advogado, este item é para simples mortais como nós, que representamos uma ameaça em potencial aos desmandos dos sicofantas, mas, para nossos representantes não há sigilo, se o que estabelece nossa Constituição vale.
Então, imperativo é, em uma democracia, prestação de contas séria para a sociedade que os financia. Temos o direito de saber a farra que fazem com tais cartões de crédito. Além ainda, é necessário por um freio nestes atrevidos onipresentes em todos os governos.
Deve-se definir se vamos pagar, e se aprovamos, a tapioca do Ministro, a cachaça do Presidente, o botóx da primeira dama e tudo o mais. Só não vamos conseguir, pelo rodar da geringonça, é instilar moralidade, ética, seriedade e responsabilidade nessa gente.