VOTO é o meio do cidadão manifestar a sua vontade ou opinião. Na democracia, o voto dado pela população elege seus representantes políticos. O Brasil adota o voto direto do cidadão para eleger os representantes do legislativo e do executivo.
Dentro desta lógica, os representantes do povo, eleitos pelo voto direto, agirão de acordo com os anseios e aspirações de seus eleitores.
E é realmente isto que acontece no Brasil? Não, infelizmente após eleitos, nossos representantes usam a procuração a eles concedida para, essencialmente em três situações; proveito próprio, para quitar sua dívida junto a seus financiadores de campanha e interesses espúrios do poder constituído.
O nosso sistema é o PROPORCIONAL . Por este, o total dos votos válidos é dividido pelo número de vagas em disputa, o resultado é o QUOCIENTE ELEITORAL. Somando-se o total de votos de cada partido e dividindo-se pelo quociente eleitoral, resultará no total de vagas que este partido obteve distribuídas aos mais votados.
Por este sistema , um partido nanico, sem conteúdo programático apresentável mas com um único concorrente famoso, que obtenha expressiva quantidade de votos, elegerá, a reboque, outros candidatos de seu partido com pouquíssimos votos em detrimento de outros, bem votados, mas que não atingem o quociente em seu partido. Esta situação assistimos a cada eleição (Enéas, Clodovil etc.).
Após eleitos, trocam de partido como trocam de camisa, levados por interesses e arranjos orquestrados nos porões do legislativos, descolam-se de nosso convívio, não nos dão satisfação e, de nossa parte, também não reclamamos suas obrigações e promessas, simplesmente por não os encontrar, não saber como, por pusilanimidade ou, pior, não saber para quem demos nosso voto, que ocorre com a grande maioria dos cidadãos. Só seremos importantes novamente nas eleições seguintes, e assim este círculo vicioso vai encorajando-os, cada vez mais, a agirem sem responsabilidade e delinquentemente na certeza que não encostaremos nas aldrabas de suas portas para bramir nosso descontentamento.
Para resolvermos esta situação excruciante, premente se faz lançar mão das armas que a democracia nos oferece. Uma delas é o VOTO DISTRITAL, sendo esta usada pelas mais antigas e funcionais democracias mundiais, como: França, Reino Unido, Alemanha, Canadá, etc.
Se estes países, berços da democracia, desenvolvidos cultural, político e economicamente usam o VOTO DISTRITAL, nós temos obrigação e dever de também lutar com as mesmas boas ferramentas, ou continuaremos subservientes e cabrestos aos políticos sicofantas que elegemos.
No sistema de VOTO DISTRITAL, o país ou estado, é dividido em regiões com aproximadamente a mesma população ( seriam os DISTRITOS ELEITORAIS). Cada distrito elege um representante ( Deputado ou Vereador). A escolha do representante do distrito pode ser feita por maioria absoluta entre os vários concorrentes, onde os dois mais votados no primeiro turno disputarão o segundo turno.
O VOTO DISTRITAL dificulta a radicalização política, uma vez que assim o candidato precisa ter maioria de votos em seu distrito. Em qualquer comunidade, dificilmente a maioria é radical e, assim, a política do país tende a criar e fortalecer lideranças mais estáveis e menos passionais
O VOTO DISTRITAL assegura a identidade entre o eleitor e o eleito. O eleito terá legitimidade e será fiscalizado de perto pelos eleitores, tendo, se pretender se candidatar a outros cargos no futuro, prestar contas, aí sim, a sua BASE eleitoral.
Outra vantagem do VOTO DISTRITAL, uma vez que os distritos eleitorais serão símiles em todo o país, é de igualar a representatividade de cada eleito, principalmente na Câmara Federal, onde temos deputados eleitos com disparidade acentuada de votos. Dependendo da região que representa, a diferença de votos chega a 20 vezes, desequilibrando o peso do voto de cada região.
Diante de tudo , faz-se urgente, implantarmos o VOTO DISTRITAL, a despeito dos políticos profissionais que nunca o acolherão.