Uma pergunta.Por que você vota?
Qualquer que seja a resposta, ela não justifica o VOTO OBRIGATÓRIO a nós imposto.
Aliás, qualquer resposta nos remete ao VOTO FACULTATIVO, sistema instituído nas mais desenvolvidas sociedades democráticas, possibilitando, realmente, o cidadão exercer seu sagrado direito de escolha e cidadania, sem coação nem penalidades descabidas.
VOTO OBRIGATÓRIO é pura ferramenta de um autoritarismo político retrógrado. Nos constrange e inverte o direito de escolhermos se queremos ou não votar.
A quem então interessa o VOTO OBRIGATÓRIO? Sem dúvida só aos legisladores políticos, pois assim, muito mais fácil fica se eleger o candidato sem ligação ideológica com seu eleitorado.
A obrigatoriedade foi inscrita em nossa constituição pelos que dela tiram proveito.
Sustentam, em sua defesa, que nossa democracia é jovem e não consistente e não atingimos a consciência política necessária para tal liberdade.Que a solução do VOTO FACULTATIVO só se justifica em países desenvolvidos. Em outras palavras, nos entendem como seres irresponsáveis, desprovidos de discernimento mental; em conseqüência se sentem no direito, por eles se considerarem ilustres privilegiados, de fixarem o que devemos e o que podemos.
Resultado desta obrigatoriedade é que, a cada eleição, todos renovam suas esperanças com a enxurrada de promessas de campanha dos candidatos. Prometem o paraíso e a dentadura, a água e a casa, o asfalto e o médico, o pão e o circo; . Troçam com nossas ingênuas expectativas. Votamos no mais bonito ou no muito feio, no mais famoso, no cantor ou no futebolista. Passada a eleição os eleitos, endomingados, imaginam-se todos poderosos, intocáveis e descompromissados de todas as promessas. Trocam de partidos e convergem para o ninho de seus adversários mais ferrenhos em troca de benesses. Frustrados, os eleitores se entocam mais uma vez, esquecidos pelos seus representantes eleitos. Em contrapartida, como votamos sem entusiasmo e em quaisquer oportunistas, deles também, rapidamente, esquecemos.
O VOTO FACULTATIVO, definitivamente, atenderia as aspirações do eleitor em ter o livre arbítrio de decidir se comparece às urnas ou não. O cidadão que exercesse seu direito de votar, o faria com consciência após ser convencido por argumentos honestos e patrióticos de programas exeqüíveis de realização. O cidadão sem opinião está suscetível a mudar de opinião a cada passo para a urna, não se sentiria motivado a se deslocar e, dessa forma, não elegeria políticos inescrupulosos.
O datafolha, em pesquisa nacional, realizada em agosto de 2006, constatou que entre os eleitores entre 18 e 69 ( faixa etária obrigada a votar) se dividiriam em metade para os que se absteriam e metade fariam questão de votar. A disposição de votar aumenta à medida que aumenta a escolaridade ( 62% para os de nível superior e 45% para os de nível fundamental). Outro dado demonstra que mesmo com mais disposição para votar, os eleitores de escolaridade estão entre os que mais repudiam a obrigatoriedade do voto (64%) e os de menos escolaridade (50%).
O exercício da cidadania pelo voto, é ato sublime da vontade popular, que indicará a rota que o país tomará. Este ato realizado voluntariamente com certeza será pensado e analisado.O cidadão caminhará à urna cônscio de sua escolha e não será embaido pelo espalhafato da “boca de urna”. Este voto firme será, certamente, cobrado pelo eleitor frente seu candidato, pois sua escolha realmente foi de qualidade e decorrente de minuciosa análise das propostas na vitrine e, se não encontrar o retorno esperado do político eleito, este nunca mais verá seu nome sufragado em outra eleição.
Portanto , os únicos prejudicados com a instituição do VOTO FACULTATIVO serão os políticos corruptos e mal intencionados e, como esta é nossa mais alta aspiração não podemos nos sujeitar que a vontade deles prevaleça em detrimento da justa democracia que a sociedade brasileira almeja praticar.